Direito Democrático

Uma democracia pressupõe consciência e cidadania

Archive for April 2011

Ratolandia

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 Esta é a história de um lugar chamado Ratolandia, que era um lugar onde todos os ratinhos viviam e brincavam, nasciam e morriam. E eles viviam do mesmo que você e eu.

Eles até tinham um governo e a cada quatro anos eles tinham uma eleição. Costumavam ir às urnas e votar. Assim como você e eu. E cada vez que no dia da eleição todos os ratos costumavam a ir às urnas e eleger um governo. Um governo formado por grandes, gordos, gatos pretos.

Agora, se você acha estranho que os ratos elejam um governo formado por gatos, basta olhar para a história do nosso país e quem sabe você verá que eles não eram nada diferentes do que nós.

Não estou dizendo nada contra os gatos. Eles conduziam o governo com dignidade. Aprovavam boas leis – ou seja, leis que eram boas para os gatos. Mas as leis que eram boas para os gatos não eram boas para os ratos. Uma das leis dizia que o buraco da casa dos ratos tinha que ser grande o suficiente para que um gato pudesse alcançar a pata dentro. Outra lei dizia que os ratos poderiam andar apenas em determinadas velocidades – de modo que um gato poderia alcançar um rato e ter o seu café da manhã, sem muito esforço.

Todas as leis eram boas. Para os gatos! Ah, mas como eram duras para os ratos. E a vida foi ficando cada vez mais difícil. E quando os ratos não podiam mais suportar isso, eles decidiram que algo tinha de ser feito a respeito. Então, foram decididos às urnas e botaram os gatos pretos para fora. No lugar deles colocaram os gatos brancos.

Os gatos brancos montaram uma campanha fantástica. Fizeram promessas de campanha e falaram: “Tudo o que essa terra precisa é de mais visão.” Disseram: “O problema daqui são os buracos redondos da casa dos ratos. Se formos eleitos vamos estabelecer buracos quadrados…” E assim eles fizeram, só que as entradas quadradas eram duas vezes tão grandes quanto os buracos redondos, e agora o gato podia colocar as patas dentro sem nenhum problema. E, assim, a vida foi mais dura do que nunca. E quando eles não podiam mais suportar isso, votaram botaram os gatos brancos para fora e colocaram os gatos negros novamente. Depois eles botaram os gatos brancos de novo no poder. Para depois colocar os gatos pretos. Eles até tentaram gatos malhados metade pretos e metade brancos gatos. E chamaram isto de coligação.

Vejam, meus amigos, o problema não era a cor do gato. O problema era que eles eram gatos. E porque eles eram gatos, eles naturalmente cuidavam dos interesses de gatos, em vez do dos ratos.

Atualmente então apareceu um pequeno rato que teve uma ideia. Meus amigos, cuidado com as pessoas com novas ideias. E ele disse aos ratos, “Olha companheiros, por que continuamos a eleger um governo composto de gatos? Por que não eleger um governo formado por ratos?” “Oh,” eles disseram, “ele é um comunista. Prendam-no!”

E assim eles o colocaram na prisão.

Mas quero lembrar-lhe: você pode aprisionar um rato ou um homem, mas você não pode aprisionar uma ideia.

(Adaptação texto de Tommy Douglas de 1944)

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Written by spreif

April 11, 2011 at 5:13 pm

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CONTRA O NUCLEAR no dia 26 de ABRIL de 2011

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aqui , lá, em todos os lugares

                No dia 26 de abril de 2011 o desastre de Tchernobyl completará 25 anos. A “comemoração” não poderia ser mais trágica: de um lado, uma nova tragédia, o acidente de Fukushima no Japão; de outro lado, o fato de que o antigo desastre ainda não terminou. Nada há a comemorar, pois as consequências da tragédia de Tchernobyl ainda são sentidas. Até hoje, o governo da Ucrânia não construiu uma barreira definitiva de isolamento do reator radioativo. Ele corrói a cada dia mais o sarcófago provisório ao seu redor e já ameaça contaminar o lençol freático da região.

                E esse não é um caso isolado. Conforme a listagem da rede francesa “Sair do nuclear”, desde 2008 presenciamos inúmeros acidentes nucleares em todo o mundo. Para citar apenas alguns exemplos, poderíamos lembrar os casos da Bélgica, da Espanha (mais de 50 acidentes nos últimos cinco anos, destacadamente nas centrais de Vandellos II e de Asco I), da Alemanha, da Áustria (nos laboratórios da Agência Internacional de Energia Atômica), da Ucrânia (central nuclear de Rivné), da Eslovênia (central de Krsko) e da França (FBFC-Areva, EDF do Tricastin, entre outros). Há, além disso, outros acidentes históricos, como o caso da cidade de Rondônia, no Brasil.

                Então por que continuar com a energia nuclear? Não há uma resposta razoável para essa questão, já que inúmeros estudos e experiências em diversos países demonstram a possibilidade de substituição dessa matriz energética. Na verdade, em termos mundiais, o nuclear satisfaz a apenas 2,4% da consumação global de energia. No entanto, para produzir esse pequeníssimo valor, cotidianamente ele coloca em risco a saúde da humanidade.

                Por que sair do nuclear? Porque ele é perigoso à saúde; porque o nuclear nunca será “risco zero” e enquanto houver riscos haverá catástrofes que poderão ser fatais; porque o nuclear é ultra-poluente, produzindo toneladas de dejetos radioativos que não têm tratamento e tampouco onde serem jogados; porque ele permite o desenvolvimento e a proliferação de armas atômicas; porque ele engole investimentos públicos milionários que deveriam ser realocados para pesquisas de mais alternativas duráveis ou para projetos sociais; porque nunca fomos consultados se estávamos de acordo com os interesses governistas quando eles decidiram implantar o nuclear, colocando em risco nossas vidas.

                Sair do nuclear é possível. Mas é, sobretudo, necessário!

                Enquanto houver UM país do mundo com energia nuclear todo o planeta estará em risco. O nuclear ameaça toda a humanidade, sem distinção de nacionalidade, religião ou sexo. Diante disso, fazemos um chamado para que todos os indivíduos e grupos do planeta preocupados nos manifestemos juntos. Com debates, passeatas e protestos, manifestações alternativas, outras formas… Não importa como. Cada um(@) a seu jeito, segundo suas possibilidades locais. Mas junt@as contra o problema global do nuclear no dia 26 de abril de 2011, data de aniversario da tragédia de Tchernobyl, renovada pela tragédia de Fukushima.

Para que elas nunca mais se repitam! 

Written by spreif

April 10, 2011 at 7:11 pm

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